Um dos muitos aspectos que me fazem não apreciar Marinho Pinto é o facto dele ser bastonário de uma ordem profissional. Toda a sua cruzada pela defesa dos que não têm voz – na qual me coloco ao seu lado – me parece suspeita quando ele é a figura máxima de uma organização que se farta de excluir pessoas com habilitação própria para exercer uma profissão do exercício dessa mesma profissão, tornando-lhes assim a voz menos audível. Uso este bastonário apenas como exemplo, por ser dos mais conhecidos, porque, na verdade, não aprecio ordens profissionais
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Bastonários da (des)ordem
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Tiros nos pés para fazer esquecer as dores de dentes
domingo, 31 de outubro de 2010
A máquina, o homem, o trabalho e o bem-estar – um dos capítulos do meio da história
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Discriminações cirúrgicas
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O conto dos investidores
"Juros da dívida portuguesa a 10 anos sobem cinco pontos base" (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=443629)
Bizarro comportamento este dos “investidores”... A dívida soberana portuguesa admite-se como "quase-tóxica" pelas veneráveis agências de notação financeira com nome de lordes britânicos e tom de igual presunção aglutinadora de chá e biscoitos. Todavia, estes mamíferos compram dívida como loucos, exigindo o pagamento de juros acrescidos como contrapartida... Aumenta a procura, o preço desce: preceito dos fundamentais do mercado que aparentemente não se aplica aqui, ou na comercialização do petróleo, ou na comercialização de imóveis, ou na comercialização de automóveis, ou na comercialização de rabanetes, bom não se aplica em coisa quase nenhuma.
Vou contar uma história: era uma vez um conjunto de "investidores" do reino da Terra do Nunca que andaram a alimentar um monopólio durante anos e anos com produtos imobiliários. Quando um deles reparou que estavam perigosamente perto dos valores das notas do jogo de sociedade da Parker Brothers, disseram todos: “Vamos ficar pobres!!! Temos de vender fundos de investimento imobiliário e comprar «commodities»!!!”. Viraram-se então para o arroz, a soja, o café, o trigo, o algodão, o feijão e, especula-se, o bem sucedido mercado das sandes de couratos. Nessa altura, deixou de se falar em crise imobiliária para se falar em crise do mercado das "commodities" e eis que a expressão "crise alimentar" começa a espreitar a informação publicamente veiculada. Mas este triste conto haveria de ter ainda mais um episódio: eis que entram em cena os Estados gordos e pesados, acompanhados por uma horda de organizações mundiais com manias filantrópicas. Armados de legisladores, cartas de direitos e sustentados em conceitos civilizacionais (pfff, palhaços...) haveriam de exercer algum controlo sobre a besta do mercado que ameaçava tornar insuportável beber um café e comer um papo seco com manteiga ao pequeno almoço. "O que fazemos agora?", perguntaram os racionais investidores, estes sofisticados seres humanos dotados de uma extraordinária capacidade premonitória e de uma invulgar indisposição para o pânico. "Vamos ficar pobres!!! Temos de vender «commodities» e comprar dívida pública!!!", concluíram de forma óbvia e inesperada. E aqui estamos nós, chegados ao capítulo actual... Entretanto, não faltam campos por cultivar, gente para trabalhar, colheitas a crescer, as vacas que continuam a produzir o mesmo leite, a mesma carne… É verdade que continuamos a ter a necessidade de gastar apenas o que produzimos, mas que diabo, já estaremos nós a produzir o que podemos? E quanto ao que produzimos, estaremos nós a ser justos na distribuição?
Na escola, quando era curioso e ou o professor não sabia do que estava a falar, ouvia muitas vezes: mais tarde vais perceber isto, para já é demasiado complexo para ti. Continuo, impacientemente, à espera de perceber algumas coisas que me rodeiam e, acredito, não serei o único. Mas há uma coisa que já consegui perceber: os tais “investidores” de quem se fala? Somos nós…
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Passeios de bicicletas
Sempre olhei para a evolução do mundo como um curva com altos e baixos mas tendencialmente crescente. Hoje, não tenho grandes dúvidas, estamos numa fase má. Serve o prelúdio para dizer que ninguém pensa já no que faz. Se a gestão da sociedade fosse um jogo de xadrez, os gestores ouviriam xeque-mate ao fim de meia dúzia de jogadas. Lembrei-me disto porque, nos últimos tempos, estive para ser atropelado por, mais ou menos, uma dezena de vezes. Onde? Em cima do passeio, claro está! Como assim?! Por bicicletas! Não sei quem teve a ideia genial de deixar circular bicicletas em cima dos passeios. Já reparei que, actualmente, a preocupação é com veículos que lançam gases para a atmosfera, por isso a bicicleta emerge rodeada de benignidade. Mas que ninguém se iluda, quem vier a levar com uma em cima rapidamente verá como as preocupações com o efeito de estufa passarão para segundo plano. Talvez tenham mudado precipitadamente o código da estrada e eu não tenha dado por isso, mas a verdade é que não me canso de ver ciclistas a atravessar em passadeiras em cima dos seus velocípedes com um ar todo prioritário, a circular em zonas reservadas a peões a velocidades de “Tour de France” e quem quiser que se desvie, aquilo é um veículo ecológico, portanto, não fará, certamente, mal a ninguém. Creio que se quem organiza as cidades circulasse a pé dentro delas tudo seria diferente. Mas a verdade é muito simples, muitas das pessoas que transformaram os centros urbanos em espaços pedestres reservaram para os seus automóveis o direito excepcional de lá entrar, por isso, se levarem com uma bicicleta pela frente resolverão tudo com uma simples pintura nova.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Portugal em estado de guerra!
Portugal está em guerra. Não se iludam, Portugal está em guerra e a comprová-lo estão as enormes colunas de espesso miasma negro acinzentado que se elevam na troposfera, sobre solo português. Por imagens assustadoramente semelhantes a estas vi já uma nação jurar perseguição sem tréguas, numa guerra sem quartel, aos terríveis perpetradores.
Portugal está em guerra. E como em qualquer nação em estado de guerra, os seus representantes públicos adoptam o comportamento adequado: tamborilam os dedos no tampo de uma mesa e assobiam para o ar enquanto acompanham a contagem decrescente para o final do Verão e da época de incêndios. É verdade, tão habitual se tornou este voraz consumidor de florestas, casas e carros de bombeiros que convivemos com ele anualmente numa época especificamente consignada para o efeito, tal e qual como a época balnear.
Portugal está em guerra. E o que se faz num estado de guerra como o que vivemos? A resposta é óbvia: compramos submarinos e “Pandurs” (veículos blindados de transporte de tropas – fui considerado “inapto”, não ignorante), alugamos helicópteros de combate a incêndios, praticamos o chamamento do pássaro “canadair” espanhol, assentamos a tarefa de apagar os incêndios na boa vontade de voluntários, fornecemos aos mesmos voluntários chibatas para açoitar as labaredas em desvairadas tentativas de dominação e submissão, e “notificamos” burocrática e simpaticamente os proprietários negligentes da necessidade de limparem as suas matas de forma a diminuir o perigo para as suas habitações e para as dos seus vizinhos.
Portugal está em guerra! Isto não é tentativa de eloquência ou estilização hiperbólica. É uma guerra com baixas, e começa pelas mais terríveis, com a perda de vidas dos soldados que estoicamente enfrentam a fornalha diabólica, dos cidadãos que não se desviam a tempo do seu caminho, das casas que não se conseguem mover, dos palermas dos esquilos, raposas, porcos-espinhos e outros com nomes mais distintos, cobardes alados incluídos, que não se organizam para combater o fogo; e das patéticas árvores que se imolam na esperança de um dia nos assombrarem com a merda da conversa: “Buuuuh! Bem vos avisamos! Que riqueza vos resta agora que desaparecemos? Hum?”.
Portugal está em guerra. Mas nem uma palavra nos noticiários sobre propostas compatíveis com a obliteração do inimigo, está tudo demasiado ocupado a ensaiar uma pose de santola acabadinha de sofrer um acidente vascular cerebral, para ver se o momento “kodak” aparece no telejornal da SIC. Porquê? Não vale a pena, é assim todos os anos, tão incontornável como o IRS ou um programa apresentado pelo Malato na RTP1… São os vidros de garrafas, as beatas de cigarros, essa paradoxal simbiose entre madeireiros e fabricantes de mobiliário queimado, as condições climatéricas, o mato seco que entra em combustão espontânea… É muita coisa… Daí que se compreenda que poupar os nossos idosos às horas de maior calor seja mais do que avisado, atendendo a que a ressequida senescência que os caracteriza também a eles os pode colocar em estado de combustão espontânea.
Portugal está em guerra. E entretanto lá se vai assumindo, timidamente, que no cocktail de negligência e piromania se filia a esmagadora maioria dos fogos florestais, na categoria das “causas humanas”. Pirómanos, raio de fetiche este… apanham-se de férias e lá vão eles todos arteiros para o seu passatempo favorito, atear um fogo na mancha florestal mais próxima… Como será que um pirómano se vê a si mesmo nos “gostos e interesses” do “facebook”? “Portugal a arder”?! E citações favoritas? Nero, de harpa na mão, como fabulosamente interpretado em 1951 por Peter Ustinov em “Quo Vadis”: “Wo ho, ó chamas bruxuleantes”?!
Portugal está em guerra! Está em guerra consigo mesmo, está em guerra com uma percepção. A percepção de que esta realidade é irremediável, que não importa encontrar um equivalente penal, ainda que mantendo a mesma matriz napoleónica, para “fechar os pirómanos e deitar fora as chaves”, que não importa reestruturar as forças armadas e profissionalizá-las num referencial de utilidade do domínio busca/salvamento/resposta a catástrofes naturais, que não importa patrulhar florestas com câmaras e homens, que não importa desfazer conflitos de interesses metastizados na contratação externa de meios e serviços privados de combate a incêndios, que não importa tomar posse administrativa de terrenos cuja ignição representa perigo para a vida e posses materiais de terceiros e cuja limpeza de segurança é sistematicamente ignorada pelos seus proprietários…
Portugal está em guerra e a primeira batalha desta guerra é pessoal, trava-se em frente a um espelho. Só depois deixará de se travar nos arbustos anónimos, nos matos protegidos, no quintal de uma das nossas casas, nas costas de alguém que nos é próximo…terça-feira, 27 de julho de 2010
Duas breves aldrabices
terça-feira, 29 de junho de 2010
Brincar à “inovação”
Se o “Gregos e Troianos” deu origem ao “Prós e Contras”, o “Prós e Contras” está bem encaminhado para dar origem à “Exponor”. Num dos últimos programas, em 7 de Junho, creio eu, volta e meia aparecia um artista a tentar vender um produto qualquer que me parecia tão inovador como… a roda! Um tipo mostrava um ecrã táctil multi-toques que, veja-se lá, poderia um dia vir a equipar aviões! Esperemos que não. A julgar pela dificuldade que Fátima Campos Ferreira demonstrava no seu manuseamento, eu nunca voltaria a olhar para o céu sem pensar no que me poderia cair em cima. Uma tal de cientista mostrava um conjunto de brinquedos que simulavam experiências supostamente científicas. Um deles era um vulcão que funcionava à base de vinagre e bicarbonato… constituintes dos magmas de mesa. O companheiro da cientista dizia que aqueles brinquedos, entre os quais figuravam ainda uma espécie de mini-aerogerador e outra espécie de mini-hidrogerador, não eram para pais que queriam simplesmente entreter os filhos, mas para aqueles que queriam passar um tempo de qualidade com os ditos filhos e aprender alguma coisa. Ora, se os pais concluíram o 9º ano, já não podem aprender grande coisa com aquilo, se não atingiram essa escolaridade, dificilmente poderão entender o que ali se passa. Resumindo, os brinquedos em particular e as “inovações” em geral eram engraçados mas, cá para mim, têm tanta capacidade para salvar o país como os bonecos da Playmobil!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
A problemática do "Bufo" no contexto português - um olhar crítico
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Postura de estado e direito à incoerência - um caso de estudo
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Os profetas da desgraça... estrangeiros.
The Next Global Problem: Portugal
Despite this eye-popping sum, the bailout does nothing to resolve the many problems that persist. Indeed, it probably makes the euro zone a much more dangerous place for the next few years.
Next on the radar will be Portugal. This nation has largely missed the spotlight, if only because Greece spiraled downward. But both are economically on the verge of bankruptcy, and they each look far riskier than Argentina did back in 2001 when it succumbed to default.
Portugal spent too much over the last several years, building its debt up to 78 percent of G.D.P. at the end of 2009 (compared with Greece’s 114 percent of G.D.P. and Argentina’s 62 percent of G.D.P. at default). The debt has been largely financed by foreigners, and as with Greece, the country has not paid interest outright, but instead refinances its interest payments each year by issuing new debt. By 2012 Portugal’s debt-to-G.D.P. ratio should reach 108 percent of G.D.P. if the country meets its planned budget deficit targets. At some point financial markets will simply refuse to finance this Ponzi game.
Neither Greek nor Portuguese political leaders are prepared to make the needed cuts. The Greeks have announced minor budget changes, and are now holding out for their 45 billion euro package while implicitly threatening a messy default on the rest of Europe if they do not get what they want — and when they want it. The Portuguese are not even discussing serious cuts. In their 2010 budget, they plan a budget deficit of 8.3 percent of G.D.P., roughly equal to the 2009 budget deficit (9.4 percent). They are waiting and hoping that they may grow out of this mess — but such growth could come only from an amazing global economic boom.
While these nations delay, the European Union with its bailout programs — assisted by Jean-Claude Trichet’s European Central Bank — provides financing. The governments issue bonds; European commercial banks buy them and then deposit these at the European Central Bank as collateral for freshly printed money. The bank has become the silent facilitator of profligate spending in the euro zone. Last week the European Central Bank had a chance to dismantle this doom machine when the board of governors announced new rules for determining what debts could be used as collateral at the central bank.
So what next for Portugal?
Pity the serious Portuguese politician who argues that fiscal probity calls for early belt-tightening. The European Union, the European Central Bank and the Greeks have all proven that the euro zone nations have no threshold for pain, and European Union money will be there for anyone who wants it. The Portuguese politicians can do nothing but wait for the situation to get worse, and then demand their bailout package, too. No doubt Greece will be back next year for more. And the nations that “foolishly” already started their austerity, such as Ireland and Italy, must surely be wondering whether they too should take the less austere path.
There seems to be no logic in the system, but perhaps there is a logical outcome. Europe will eventually grow tired of bailing out its weaker countries. The Germans will probably pull that plug first. The longer we wait to see fiscal probity established, at the European Central Bank and the European Union, and within each nation, the more debt will be built up, and the more dangerous the situation will get. When the plug is finally pulled, at least one nation will end up in a painful default; unfortunately, the way we are heading, the problems could be even more widespread."