quinta-feira, 27 de maio de 2010

A problemática do "Bufo" no contexto português - um olhar crítico

No dia em que eu vir alguém a gamar a casa do vizinho terei dúvidas se deverei denunciar a ocorrência. É que me habituei a ouvir dizer que ser queixinhas é muito feio, uma espécie de bufo, daqueles tipos que iam contar à PIDE os actos políticos que à data eram crime. Qualquer miúdo do ciclo sabe desde cedo que pode ser indisciplinado, fazer trinta por uma linha, não estudar patavina, agora, queixinhas é que nem pensar, se alguém lhe desanda um banano nas trombas há que comer e calar se não for capaz de responder! Até o bastonário da Ordem dos Advogados conhece a regra, ataques generalizados tudo bem, pôr nomes nas coisas nem pensar, que ele, lá está, não é nenhum bufo. Por isso, sempre que vejo um espertalhão a tentar passar-me a perna, ou tento rasteirá-lo também, ou sigo a regra dos gentlemen e calo-me que nem um rato. A honra não tem preço, não me vou pôr para aí a dizer que há gente que não respeita os outros. Deste modo, se és criminoso, não tenhas medo! Neste país, se não houver polícia por perto na hora do crime, ninguém te vai denunciar! Talvez seja por isso que é tão difícil de combater a corrupção! Talvez tenha sido por isso que ficámos sem dinheiro nos cofres, ninguém se lembrou de se contra-manifestar quando alguns se manifestavam por remunerações maiores do que as que o país podia pagar. Mas o mundo parece que é mesmo assim e, por isso, aprendi com gente da mais fina-flor que razão tinha aquele pensador que prosava nas paredes da casa de banho da minha escola secundária. Dizia ele num tom assertivo: “A escola é de todos, fode a tua parte”!