terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

In dubio pra língua oficial

Muita gente reclama para Portugal uma justiça que funcione. Dizem que é tudo muito demorado e complexo. Eu, quando passo perto de um tribunal, naquele edifício onde se lê Domvs Ivstitiae, e me lembro dos Habeas corpus que por ali circulam e que se aplica o princípio do In Dubio Pro Reo, já não peço uma justiça portuguesa satisfatória, peço apenas uma justiça falada em português. Era um bom princípio. Anda tanta gente preocupada com os cantores que cantam em inglês e não há quem se insurja contra os juristas que traem a língua mãe, não com uma mais fresca e viçosa, mas com uma cadavérica e flácida, tão morta como o Latim, numa espécie de necrofilia linguística. Eu, que me considero o Manuel Moura dos Santos da justiça, acho que nos tribunais portugueses só se deveria cantar, digo, falar em português. Línguas estrangeiras deixaria para os cantores que, se forem mal entendidos, apesar de tudo, não metem ninguém na cadeia.

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