Habituei-me a olhar para Marcelo Rebelo de Sousa como o Mantorras do comentário político: toda a gente o aplaude, há quem roce a histeria mas, para o essencial, ele pouco contribui! O joelho da sua vaidade não lhe permite arriscar comentários menos previsíveis que o possam comprometer. E assim, o potencial de brilhantismo esfuma-se num jogo excessivamente lateralizado. É que Marcelo, mais do que um comentador, é um sedutor; e como sedutor, mais do que dizer o que quer dizer, diz aquilo que o objecto da sua sedução quer ouvir – ainda que, por vezes, isso o tenha feito passar parte do seu programa a pedir desculpa pelos lapsos cometidos no programa anterior. A fúria sedutora de Marcelo Rebelo de Sousa, parece evidente, dirige-se a todo e qualquer um de nós, aqueles que ele gosta de chamar de Zé Povinho, uma massa de contornos pouco definidos que ele se esforça ao máximo para não decepcionar. E é por isso que, do banco onde se senta a ver o jogo correr, dificilmente “o Professor” sairá para professar outra coisa que não seguras banalidades, jogadas calculadas, tacticamente irrepreensíveis, mas que lhe renderão, quando muito, um ou dois golos por época. O mundo da política anda carecido de treinadores de ataque, de quem assuma o jogo, caso contrário a perda público não terá fim, os treinadores da bancada da cidadania abster-se-ão cada vez mais de votar. Marcelo tem tocado várias vezes no assunto, na questão da descredibilização da classe. Mas o seu futebol passivo, assente numa circulação de bola sem progressão, só tem contribuído para agravar o problema geral: a falta de profundidade!
terça-feira, 19 de maio de 2009
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