Salazar odiava isqueiros, a democracia parece que odeia vendas de carros. Publicitar a disponibilidade de um carro para venda está, nos dias que correm, quase tão difícil como publicitar serviços de prostituição. Este último negócio divulga os seus préstimos nas páginas dos jornais em troca de… beijinhos, beijinhos esses que só um idiota topo de gama não conseguiria perceber que correspondem a euros; nos carros, talvez para evitar equívocos que os beijinhos poderiam criar, põem-se placas com inscrições do género “procuro novo dono” ou “troco por euros”. Tudo porque é proibido a venda de carros na via pública. E por vendas não se entenda a abertura de um stand na faixa de rodagem, entenda-se a simples colocação de uma placa com a palavra “vendo” na viatura. Só posso agradecer a iniciativa de quem não olha a esforços para defender o interesse público. De facto, se a ideia por trás desta regra era impedir que os parques de estacionamento se transformassem em montras de carros usados, uma espécie de Amesterdão do mundo automóvel, o êxito foi total. Por via dessa medida, nos últimos anos, o aumento da disponibilidade de lugares de estacionamento tem sido exponencial. Já para não falar nas nossas crianças, que foram poupadas ao flagelo da venda de usados em locais públicos em plena luz do dia. Agora só falta disponibilizar uma verba para criar uma polícia, não dos isqueiros, mas das placas “vende-se” e podemos todos dar graças pelo empenho que os nossos representantes têm em criar-nos problemas novos com o dinheiro que lhes pagamos para nos ajudarem a resolver os problemas de sempre.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
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