Admiro com afinco a elite social que vive convencida de que, se não se desse ao penoso trabalho de moderar os misteriosos ímpetos da população, a dita população ocuparia os seus tempos livres a passear entre tribunais e hospitais. Só assim consigo compreender os conceitos de custa judicial, no primeiro caso, e de taxa moderadora no segundo. Creio firmemente que, por caminhos travessos, o indivíduo que foi à urgência hospitalar, ou a qualquer outro serviço de saúde, com a consciência de que não tinha essa necessidade foi, justamente, ao sítio certo. Alguém que vai espairecer a cabeça para um lugar onde o estropiamento abunda e a morte se cruza consigo em cada esquina precisa de ser urgentemente internado… não taxado! Eu, pelo menos, fujo de lá a sete pés.
Do mesmo modo, um indivíduo que chega ao tribunal em litígio com… ninguém… deu um passo na direcção certa: a da cadeia. “Então, de que se queixa?” “De nada, só vim cá para chatear!” “Ah! Muito obrigado por ter aparecido. O Sr. agente irá conduzi-lo aos seus aposentos!” Caso encerrado, sem taxas, sem emolumentos, com eficácia! Ao invés, a ideia que suporta o mecanismo moderador actual talvez pudesse ser representada da seguinte forma: “Então, de que se queixa?” “Queixo-me do meu vizinho, o malandro, está sempre a sacudir os tapetes para dentro do meu terreno… bandalho!” “ E você vem incomodar o tribunal com isso, homem?!” “E que mais podia eu fazer?!” “Sei lá! Olhe, dava-lhe um tiro, ao menos um assassinato justificava um processo!”
No fundo, esta questão da moderação através de taxas faz lembrar as infracções à lei que são punidas com multa… só que se pagam antes da infracção ser cometida e mesmo que isso não venha acontecer já ninguém devolve a massa. E percebe-se porquê: é que, cá entre nós, teriam de estar sempre a devolvê-la! As custas judiciais, por seu lado, remetem-me para um cenário ainda mais sombrio: o chinês! Por lá é que se costuma executar o condenado e mandar a conta da bala para a família!
Em jeito de despedida, atrevo-me a propor à elite nacional, que já se viu que não gosta de deixar a população à rédea solta, que pondere ao menos a possibilidade de devolver a taxa moderadora cobrada bem como de isentar a segunda prestação de serviço quando esta vem na sequência de um diagnóstico errado ou de um tratamento mal escolhido. Se, em consciência, não se aperceberem da justiça que habita esta proposta tão moderada, recomendo uma passagem pela urgência para posterior internamento! Se, por outro lado, preferirem fazer de conta que não vêem essa justiça, então mais vale passarem pelo tribunal seguindo depois para a cadeia… sempre sem pagar taxas, que prender quem faz de nós parvos é um serviço público!
Sem mais de momento,
Com os melhores cumprimentos… e um abraço deste que tanto vos quer.
Do mesmo modo, um indivíduo que chega ao tribunal em litígio com… ninguém… deu um passo na direcção certa: a da cadeia. “Então, de que se queixa?” “De nada, só vim cá para chatear!” “Ah! Muito obrigado por ter aparecido. O Sr. agente irá conduzi-lo aos seus aposentos!” Caso encerrado, sem taxas, sem emolumentos, com eficácia! Ao invés, a ideia que suporta o mecanismo moderador actual talvez pudesse ser representada da seguinte forma: “Então, de que se queixa?” “Queixo-me do meu vizinho, o malandro, está sempre a sacudir os tapetes para dentro do meu terreno… bandalho!” “ E você vem incomodar o tribunal com isso, homem?!” “E que mais podia eu fazer?!” “Sei lá! Olhe, dava-lhe um tiro, ao menos um assassinato justificava um processo!”
No fundo, esta questão da moderação através de taxas faz lembrar as infracções à lei que são punidas com multa… só que se pagam antes da infracção ser cometida e mesmo que isso não venha acontecer já ninguém devolve a massa. E percebe-se porquê: é que, cá entre nós, teriam de estar sempre a devolvê-la! As custas judiciais, por seu lado, remetem-me para um cenário ainda mais sombrio: o chinês! Por lá é que se costuma executar o condenado e mandar a conta da bala para a família!
Em jeito de despedida, atrevo-me a propor à elite nacional, que já se viu que não gosta de deixar a população à rédea solta, que pondere ao menos a possibilidade de devolver a taxa moderadora cobrada bem como de isentar a segunda prestação de serviço quando esta vem na sequência de um diagnóstico errado ou de um tratamento mal escolhido. Se, em consciência, não se aperceberem da justiça que habita esta proposta tão moderada, recomendo uma passagem pela urgência para posterior internamento! Se, por outro lado, preferirem fazer de conta que não vêem essa justiça, então mais vale passarem pelo tribunal seguindo depois para a cadeia… sempre sem pagar taxas, que prender quem faz de nós parvos é um serviço público!
Sem mais de momento,
Com os melhores cumprimentos… e um abraço deste que tanto vos quer.