quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Portugal precisa de enriquecer… urânio!
domingo, 3 de junho de 2012
Pare, escute, olhe e leia o prefácio deste sinal
Mas nada mais espantoso que a evolução estética da sinalização vertical de trânsito agora empregue na moderna urbe. Placas com indicações escritas fartas, distribuídas por várias linhas de texto que adornam e condicionam, agora, a outrora percepção intuitiva das outrora formas geométricas simples articuladas com cores, alternantes ou não, que caracterizavam a velha sinalização vertical. Horários, tipos de veículos, texto, símbolos pequenos sobre fundo branco, uma verborreia interminável, um verdadeiro prefácio, muitas vezes posfácio, daquele instrumento de prescrição rodoviária. Impossíveis de ler, a não ser no âmbito da calmaria de uma incursão pedonal. Antes um semáforo, um stop, um sentido obrigatório, agora tudo isso mas... dependendo das horas, do veículo conduzido, da cor, do cheiro, da altura do condutor, pode ser tudo bem diferente.
Como se não bastasse ao condutor a repartição de recursos intelectuais e físicos pela manobra mecânica da besta automóvel, com os seus pedais, alavancas, ruídos, botões, computadores de bordo, computadores fora de bordo, a manipulação do cigarro, a manipulação do telemóvel, a tentativa de impedir a Rute Vanessa de enfiar o “pokémon” pela goela abaixo do pequeno Izequiel Luís, a tentativa de evitar o terço difundido pela Rádio Renascença, a necessidade de exortar o condutor dianteiro, com alusões a um estatuto de bastardo acompanhadas por um manguito bem erecto, para a urgência de arrancar no verde que acaba de cair; como se não bastasse tudo isso, dizia, agora o condutor tem de “ler” os sinais, literalmente.
Pergunto-me se não será este o conceito de “cidade inteligente” que frequentemente se apregoa em justificação da manutenção do caos de coelheira em que se tornaram as nossas metrópoles. Se assim é, de mais estudo precisarei. Mais de 20 anos repartidos entre ensino obrigatório, secundário e superior não são suficientes para gerir tamanha complexidade.
Ou serão estes os primeiros sintomas da mobilidade interna decretada sobre o pessoal da função pública? Transferiram a malta do Plano Nacional de Leitura para a Prevenção Rodoviária? Não tarda nada teremos cesarianas nas aulas de Técnicas Laboratoriais de Biologia e Estudo Acompanhado nas alas de psiquiatria.
O que quer que seja, é o fim dos tempos em que alguém do lugar do passageiro dirá: “passaste um vermelho, querido”. O diálogo enriquece, a segurança empobrece:
− Aquilo era um stop, querida?
− Ah, pá, não sei, só consegui ler o primeiro parágrafo, querido.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Dispor do futuro
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Intervalo
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Eleições presidenciais – uma escalada para o fundo
Há semanas em que mais valia ficar na cama. As últimas foram um bom exemplo disso, dificilmente as eleições presidenciais poderiam ter sido um maior calvário de descalabros sequenciais ate ao descalabro final. Primeiro, as televisões anteciparam-se aos acontecimentos e, vai daí, toca a fazer debates antes dos candidatos estarem completamente definidos. Consequência: esqueceram-se de José Manuel Coelho. E quando Judite de Sousa se lembrou de o convidar para a sua “Grande Entrevista”, se alguém pensava que estava a tentar emendar a mão, viu-se defraudado. Afinal, só o tinha lá levado para lhe dizer que ele era um menino mal comportado e sem vergonha na cara. Reconhecer que o tinham discriminado? Isso e que era bom. Não lhe dizia respeito, ela não manda na RTP. Só dá a cara pela empresa, mas não recebe reclamações. Sempre que derem elogios à instituição ela veste a camisola, quando a história for menos favorável, despe-a com uma velocidade impressionante. Mas se Coelho não foi aos debates, pouco terá perdido a sua campanha: quase ninguém os viu. E eu, que sempre que pude os vi, só posso dizer que foram muito fraquinhos, verdadeiramente desinteressantes. O que é sempre interessante é ver Cavaco Silva em campanha. Volta e meia lá mostra o lugar que a sua mulher ocupa na hierarquia das coisas. Desta vez, em resposta a uma outra mulher que lamentava o valor da sua reforma, ele atirou-lhe com algo como: Olhe, a minha mulher, que foi professora, ganha 800 € de reforma; ainda depende de mim. Juntou o seu tradicionalismo arcaico à insensibilidade social. Se o laivo machista do candidato e presidente foi pouco comentado, a insensibilidade social ressaltou logo a vista de João Oliveira do PCP. No programa semanal onde participa, o “Corredor do Poder”, apressou-se rapidamente a apontar a ignorância do presidente sobre o valor das reformas em Portugal. Só é pena que não se lembre disso de cada vez que fala dos portugueses que ganham 1500 € mensais como desfavorecidos. Quando tudo parecia simplesmente mau folclore típico de campanha eleitoral, eis que baixamos ao nível do terceiro mundo: uma data de eleitores inscritos viram-se privados de votar. Não bastava já o atraso que sempre houve entre o recenseamento e o efectivo direito ao voto, agora tinham de vir os problemas com o cartão do cidadão atrapalhar. Curiosamente, pouca gente acha necessário repetir as eleições ou, no mínimo, permitir que essas pessoas votem noutro dia. Como corolário, o candidato vencedor, fez um verdadeiro discurso de união… de união contra os que o criticaram. De facto, há semanas em que mais valia ficar na cama.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Bastonários da (des)ordem
Um dos muitos aspectos que me fazem não apreciar Marinho Pinto é o facto dele ser bastonário de uma ordem profissional. Toda a sua cruzada pela defesa dos que não têm voz – na qual me coloco ao seu lado – me parece suspeita quando ele é a figura máxima de uma organização que se farta de excluir pessoas com habilitação própria para exercer uma profissão do exercício dessa mesma profissão, tornando-lhes assim a voz menos audível. Uso este bastonário apenas como exemplo, por ser dos mais conhecidos, porque, na verdade, não aprecio ordens profissionais

![Avenida João XXI (Braga) [4599954 N; 548893 E]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhTTGI8QMmksNjBGDGlHdnPchdhYA1Du3xJFRRM2fvcCy6OF_g_8K4n74NKQ1dCuEKtTn8FpH4olD7Fgs8lUWKF4_PxZGRe2QwzBgjMF-dS2lr0Nff_pAgT4Eeb8gtl2H2QXEaBFfJS5U/s320/IMAG0027.jpg)
