Em tempo de crise no século XXI, parece-me oportuno falar sobre um tema que remonta à revolução industrial. Quando a máquina começou a substituir o trabalhador humano na produção de riqueza, abateu-se uma sombra sobre o futuro do emprego. Nem toda a gente viu nas novas invenções um caminho para o bem-estar e para uma maior disponibilidade de tempo. Muitos viram simplesmente a sua própria extinção enquanto força de trabalho e a consequente fome vindoura. Assim, a máquina, que podia ser vista como auxiliar do ser humano, acabou por ser também colocada no campo do adversário, como alvo a abater. A conclusão imediata que retiro deste dado histórico é que, se atendêssemos a visões simplistas, estaríamos condenados a uma de duas realidades não muito agradáveis. A primeira consistiria na possibilidade de um crescimento tendencialmente infinito do desemprego. A segunda resumia-se à condenação da humanidade à ausência eterna de auxílio no trabalho e à estagnação tecnológica. Abençoado Cristóvão Colombo que, à custa de um ovo, pôs a nu uma evidência: há muito mais para explorar do que aquilo que a superficialidade mostra. E as questões a explorar neste caso são as seguintes: Quem tem direito aos benefícios da tecnologia e em que proporção? Poderá um só ser humano, ou um grupo restrito, considerar-se dono de uma criação que, em última análise, teve o contributo de inúmeras pessoas ao longo da história? Se a consequência imediata da substituição de trabalho humano por tecnologia for o desemprego de muitos e a concentração de riqueza em alguns, qual será a consequência a médio prazo para estes últimos quando quiserem escoar os seus produtos? Será a evolução tecnológica um bem ou um caminho para a desgraça? Agostinho da Silva disse um dia que os desempregados eram desempregados coisa nenhuma, eram apenas pessoas com tempo livre. O problema, digo agora eu, é que esse tempo livre não pode ser aproveitado sem recursos e com fome. Creio que muitos dos desempregados sacrificariam um pouco desse tempo livre em troca de um parte da riqueza que se produz, ou mesmo da que se poderia produzir. Por isso pergunto como pode haver tanta gente forçada a não fazer nada quando há tanto para fazer e outra tanta forçada a fazer tanto quando há tanta sem fazer nada? Que tem isto a ver com a máquina e a revolução industrial? Deixo ao critério de cada um. Será a evolução tecnológica um bem ou um caminho para a desgraça? Quanto a mim, terá sempre a possibilidade de ser um bem e só será um caminho para a desgraça se assim o permitirmos.
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