Em 17/08/2009 a propósito das eleições legislativas, a SIC transmitiu um programa onde se debatia o que é isso de se ser pobre, rico, ou da classe média em Portugal. De entre os opinantes, um fiscalista do tipo proeminente, chamado Diogo Leite Campos (que me perdoe o senhor se omiti um “de”), dissertava sobre a questão. Dizia ele que um agregado familiar de 4 pessoas com um rendimento global de 2000 € mensais não podia ser considerado de classe média. Porquê? Porque não consegue fazer poupanças. Tendo em conta que, durante o mesmo programa, se veio a informar que mais de 50% dos agregados familiares portugueses vivem com menos de 900 € mensais, pus-me a pensar de onde é que o fiscalista teria retirado a sua teoria. E lembrei-me da ideia que ele passou: por comparação com os países mais desenvolvidos! No fundo, a referida ideia é muito simples: por muito poucos doces que haja no frigorífico, se na casa ao lado a abundância for maior, o menino guloso ficará sempre com eles todos porque, apesar de saber que os irmãos ficarão a ver navios, ele não tem muitos, os outros é que têm poucos, tal como esses invejosos que ganham 450 € e se recusam a ver a desgraça dos que ganham 5000 €. Ora, quanto à distribuição da riqueza estamos falados, é um assunto bonito do ponto de vista teórico, mas quando chega a hora de a fazer não interessa o tamanho do bolo, os matulões da festa não admitem que lhes encolham a fatia.
Talvez seja desta minha maneira de ser populista, da demagogia que brota dos meus poros, mas, depois de tudo isto, parece-me, às vezes, que estes opinion makers não são lá muito isentos. Algo me diz que se no lugar de Diogo Leite Campos estivesse um tipo remunerado com o salário mínimo o discurso seria exactamente o oposto. Mas o fiscalista também deu uma resposta a isso, algo do género: estas coisas são todas relativas. E são mesmo, as malandrecas! Por isso é que, num país onde o salário mínimo é de 450 € e a sua aplicação é alargada, um indivíduo que ganhe 5000 € mensais é relativamente rico, um que ganhe 1000 € anda numa classe relativamente média e os comentários do fiscalista são relativamente insultuosos, porque insultam uma parte relativamente grande da população, aquela que tem um salário relativamente pequeno. Felizmente, todo este mundo movediço de tão grande relativismo degenerou em algo de mais sólido e mensurável quando Diogo Leite Campos lembrou que mesmo as grandes fortunas teriam tendência a fugir do país se alguém as tributasse, ou seja, agora traduzo eu, que feitas as contas não se pode tributar ninguém: adeus, função retributiva dos impostos! Então, num ápice, o comentário que até aí se mostrava relativamente insultuoso transformou-se numa intervenção absolutamente inútil!
Talvez seja desta minha maneira de ser populista, da demagogia que brota dos meus poros, mas, depois de tudo isto, parece-me, às vezes, que estes opinion makers não são lá muito isentos. Algo me diz que se no lugar de Diogo Leite Campos estivesse um tipo remunerado com o salário mínimo o discurso seria exactamente o oposto. Mas o fiscalista também deu uma resposta a isso, algo do género: estas coisas são todas relativas. E são mesmo, as malandrecas! Por isso é que, num país onde o salário mínimo é de 450 € e a sua aplicação é alargada, um indivíduo que ganhe 5000 € mensais é relativamente rico, um que ganhe 1000 € anda numa classe relativamente média e os comentários do fiscalista são relativamente insultuosos, porque insultam uma parte relativamente grande da população, aquela que tem um salário relativamente pequeno. Felizmente, todo este mundo movediço de tão grande relativismo degenerou em algo de mais sólido e mensurável quando Diogo Leite Campos lembrou que mesmo as grandes fortunas teriam tendência a fugir do país se alguém as tributasse, ou seja, agora traduzo eu, que feitas as contas não se pode tributar ninguém: adeus, função retributiva dos impostos! Então, num ápice, o comentário que até aí se mostrava relativamente insultuoso transformou-se numa intervenção absolutamente inútil!
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