Generalizou-se a crença de que a educação é o meio para que Portugal descole, com maior ou menor velocidade, rumo ao sucesso e à prosperidade. Diz-se que, a médio prazo, a aposta na dita educação trará muitas coisas boas para o país. A médio prazo é capaz disso, mas no imediato trouxe o Halloween… o que é mau! Já não bastava o hábito do funcionário da câmara insinuar o desejo de um cabrito ou dois para fazer avançar um projecto, o do indivíduo dos exames de condução gostar de ver o seu movimento aprovador ser lubrificado por uma injecção de capital, temos agora a promoção nas aulas de inglês da extorsão infantil, uma aprendizagem estruturante para quem vier um dia a ingressar… na máfia. Quem sabe se no futuro não se divulgará nas aulas de português a festa dos Caretos de Podence, essa ode ao machismo mais rasteiro, à sedução desajeitada e à bordoada nas gajas. É também cultural, muito mais nossa e igualmente estúpida. Porque isto de educar nada tem de complicado. É, no fundo e tão simplesmente, moldar comportamentos: o verdadeiro problema está no molde. Com o molde apropriado até podemos educar alguém para vir a ser um mal-educado. Ou podemos moldar tanto um indivíduo que ele próprio já não se distinguirá dos demais. Será apenas um cidadão modelo. Uma peça de uma grande máquina, soldado sem vontade própria, caçando as bruxas que, ao contrário dele próprio, não se encaixam nas engrenagens. Porque, no fundo, noites das bruxas e caças às bruxas são duas faces de uma moeda poliédrica e assustadoramente multipotencial chamada educação que, quando referida em abstracto, é apenas uma palavra vazia, uma ferramenta poderosa que tanto nos poderá libertar como aprisionar.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
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