À porta das cidades há-de um dia haver porteiro, mais ano menos ano, há-de a coisa ser assim. E a cidade será parque temático, uma espécie de jardim, onde humanos e edifícios serão peças de museu. As ruas serão palcos, canais entrecruzados que levam a lado nenhum, e os habitantes personagens de uma peça de teatro continuamente repetida em ciclos sem fim. E de fora virão outros, espectadores curiosos, turistas culturais, aplaudir essa tragédia tão bem representada, no fundo, igual à deles. À porta do teatro deixarão o seu transporte, que no jardim humanológico anda tudo de mini-trem. E lá dentro encontrarão um quotidiano planeado, corda grossa, hirta e forte que mantém o futuro amarrado.
Um dia as cidades serão prisões e às suas portas nem será preciso um carcereiro. O medo fará o serviço por ele. Nas grades exteriores, cabeças de crianças vislumbrarão um vasto mundo que, por um qualquer código antigo, não poderão conhecer. E desse mundo virão pássaros, que outra coisa não farão que não mijar-lhes nas cabeças, que mesmo os pássaros mais bonitos, ao contrário dos humanos, nunca mostraram respeito por espécies menos dotadas. Sempre aparentaram carecer de uma consciência ecológica. O ar fresco e a erva verde serão somente ameaças de um calor que está por vir ou de uma cor por se esbater, de nada assim servirão a um condenado a esta prisão. E carros e aviões, e arrojo e criação serão mitos do passado, que dentro da cidade reinará o equilíbrio, ainda que conseguido à custa de um mundo aprisionado. Mas o que importa é olhar em frente, que ninguém se mexa muito, para que o mar não aqueça nem atmosfera resfrie, e a extinção só chegue um dia às mãos de fúria natural, esmagando-nos como dinossáurios, já que nos reduzimos a tal.
Um dia seremos tão inócuos quanto as mais benignas hortaliças, em equilíbrio com o meio, sem causar perturbação. Depois de bem treinados esqueceremos até a liberdade, será uma ideia a mais. Adaptando a frase do outro, é o preço a pagar por nunca tanta inteligência humana ter sido usada para nos reduzir a meros vegetais.
Um dia as cidades serão prisões e às suas portas nem será preciso um carcereiro. O medo fará o serviço por ele. Nas grades exteriores, cabeças de crianças vislumbrarão um vasto mundo que, por um qualquer código antigo, não poderão conhecer. E desse mundo virão pássaros, que outra coisa não farão que não mijar-lhes nas cabeças, que mesmo os pássaros mais bonitos, ao contrário dos humanos, nunca mostraram respeito por espécies menos dotadas. Sempre aparentaram carecer de uma consciência ecológica. O ar fresco e a erva verde serão somente ameaças de um calor que está por vir ou de uma cor por se esbater, de nada assim servirão a um condenado a esta prisão. E carros e aviões, e arrojo e criação serão mitos do passado, que dentro da cidade reinará o equilíbrio, ainda que conseguido à custa de um mundo aprisionado. Mas o que importa é olhar em frente, que ninguém se mexa muito, para que o mar não aqueça nem atmosfera resfrie, e a extinção só chegue um dia às mãos de fúria natural, esmagando-nos como dinossáurios, já que nos reduzimos a tal.
Um dia seremos tão inócuos quanto as mais benignas hortaliças, em equilíbrio com o meio, sem causar perturbação. Depois de bem treinados esqueceremos até a liberdade, será uma ideia a mais. Adaptando a frase do outro, é o preço a pagar por nunca tanta inteligência humana ter sido usada para nos reduzir a meros vegetais.
Sem comentários:
Enviar um comentário